História Breve
A história do alumínio
está entre as mais recentes no âmbito das
descobertas minerais. Uma das razões é o fato de não se
encontrar alumínio em estado nativo, e sim a partir de processos
químicos.
A
bauxita, minério que deu origem à obtenção de alumínio, foi identificada
pela primeira vez em 1821, na localidade de Les Baux, ao Sul da França,
por Berthier. Naquela época, o alumínio ainda não era conhecido, pois só
foi isolado em 1824 pelo químico Oersted. A primeira obtenção industrial
do alumínio por via química foi realizada por Sainte-Claire Deville, em
06/02/1854 e no ano seguinte, na exposição de Paris, mostrou o primeiro
lingote de um metal muito mais leve que o ferro.
O processo químico
inicial utilizado por Deville - usando cloreto duplo de alumínio e sódio
fundido, reduzindo-o com sódio - foi substituído com sucesso pelo processo
eletrolítico por meio de corrente elétrica, descoberto por Paul Louis
Toussaint Heroult (Normandia-França) e Charles Martin Hall (Ohio-Estados
Unidos). Heroult e Hall, sem se conhecerem, inventaram ao mesmo tempo o
procedimento de que marcou o início da
produção do alumínio.
Antes do advento da indústria do alumínio, a bauxita usada no
século passado era originária do Sul da França, do Norte da Irlanda e dos
Estados Unidos, chegando a atingir 70 mil toneladas em 1900, dos quais
apenas 40% eram destinados à produção do metal não-ferroso
alumínio.
As primeiras referências sobre a bauxita no Brasil estão
nos Anais de 1928, da Escola de Minas de Ouro Preto. Já a primeira
utilização desse minério para a produção de alumina e alumínio no País, em
escala industrial, foi feita pela Elquisa, - hoje Alcan - em 1944, durante
a 2ª Grande Guerra Mundial, que mais tarde participaria da
consolidação da indústria no Brasil.
O início da produção de
alumínio O primeiro milhão de
toneladas de produção anual de bauxita foi atingido em 1917, quase no fim
da Primeira Guerra, quando a mineração havia se expandido para a Áustria,
Hungria, Alemanha e Guiana Britânica, na América do Sul.
Na época
da Segunda Guerra, por volta de 1943, os maiores produtores de bauxita
eram os Estados Unidos, a Guiana Britânica, Hungria, Iugoslávia, Itália,
Grécia, Rússia, Suriname, Guiana, Indonésia e Malásia.
Em 1952, a
Jamaica iniciou intensa mineração de bauxita, ultrapassando o Suriname,
por anos o maior produtor. Na década de 60, Austrália e Guiné juntaram-se
a esse time.
A consolidação da indústria no
Brasil No Brasil, duas iniciativas concorreram para implantar a produção
de alumínio: a da Elquisa - Eletro Química Brasileira S/A, de Ouro Preto
(MG) e a da CBA - Companhia Brasileira Alumínio, de Mairinque (SP).
A
Elquisa teve dificuldades de comercialização devido ao excesso de produção
mundial de alumínio e somente em 1938, com o apoio do governo Vargas,
começou em definitivo a produção do metal em Ouro Preto. A Elquisa foi
adquirida pela Aluminium Limited do Canadá - Alcan, em
Junho/1950.
A Alcan Alumínio do Brasil Ltda
tornou-se assim a primeira empresa multinacional a participar do mercado
brasileiro, produzindo não só o alumínio primário, como produtos
transformados de alumínio.
A Companhia Brasileira de Alumínio -
CBA, fundada em 1941, contava com as reservas de bauxita de Poços
de Caldas, mas sua unidade industrial para a produção de alumínio primário
acabou sendo localizada na área de Rodovelho, próxima de Sorocaba, onde a
disponibilidade de energia elétrica e o combustível (lenha) eram mais
abundantes. A empresa paulista foi uma das pioneiras que permaneceu até
hoje.
Outras empresas que participaram do crescimento do
setor A Alcoa - Aluminium Company of America, empresa líder
americana e mundial do setor, estabeleceu representação no Brasil em 1915
e iniciou operações comerciais somente em 1940. A Alcoa voltou a se
interessar pelo mercado brasileiro no início da década de 60,quando
adquiriu a Companhia Geral de Minas, detentora de jazidas de bauxita em
Poços de Caldas (MG).
A instalação da primeira "redução" da Alcoa,
em Minas Gerais, destinava-se a produzir alumínio para o mercado interno,
no período entre 1967 e 1970, o que coincidiu com a descoberta das grandes
reservas comerciais de bauxita da Amazônia, feita pela Alcan em
1967.
A quarta empresa produtora de alumínio primário no Brasil foi
a Valesul Alumínio S.A, que passou a operar em janeiro de 1982, por
iniciativa da CVRD - Cia Vale do Rio Doce, empresa estatal de mineração de
ferro e da Billiton Metais S.A., então subsidiária do Grupo Shell. A
presença da Valesul permitiu substituir as importações brasileiras de
alumínio que experimentavam crescimento acentuado àquela época.
Em
81, a Billiton Metais S.A., se engajou no projeto da Alcoa (já com
o nome de Alcoa Alumínio S.A.), destinado à produção de alumina e
exportação de alumínio primário em grande escala, transformando-o no
Consórcio de Alumínio do Maranhão - Alumar, que iniciou suas
operações em 1984.
Enquanto isso a Aluvale - Vale do Rio
Doce Alumínio dava andamento aos estudos de viabilidade do projeto Albras
(consórcio entre NAAC - Nippon Amazon Aluminium Co Ltd. e CVRD - Companhia
Vale do Rio Doce), no qual estava previsto inclusive a construção de
Tucuruí. O início de operação da Albras deu-se em 1985.
Essas são
as empresas que hoje compõem o cenário brasileiro da indústria do
alumínio, quer seja na extração da bauxita, no seu beneficiamento e
produção de alumina e alumínio primário. Para maiores detalhes sobre a
evolução histórica do setor, consulte a biblioteca da ABAL.
*Fotos cedidas pelas empresas associadas. |